Por que o estudante/profissional de Relações Internacionais não deve ter medo da área Internacional?

As Relações Internacionais do Brasil são um campo multidisciplinar em desenvolvimento, com a primeira graduação sendo criada em 1974, praticamente há meio século, e a primeira revista em 1954. Desde então, muitos temas foram levantados sobre essa área, muitas organizações foram questionadas, muitas brigas foram travadas e vários projetos de lei acerca foram propostos.

A verdade é que o nome da área “Relações Internacionais” sempre veio carregado de pompa, particularidade e falta de alcance, principalmente pelo fato de ser confundido desde o início com os diplomatas e o Itamaraty. Isso criou em nossos estudantes e egressos uma soberba natural, não de humilhação ao próximo, mas de uma exaltação quase que aristocrática, porém sem a reserva da área, algo que gera debates até hoje em Relações Internacionais.

Mas, como dito, Relações Internacionais sempre foi uma área multidisciplinar, assim como o Direito, e por isso, nunca poderia ter um Conselho Federal de Relações Internacionais que garantisse tudo por poder de imposição. Até porque, segundo o artigo 4 da CF88, as Relações Internacionais são de soberania do Estado Brasileiro e um presidente de Conselho Federal teria poder autárquico para mandar no Chanceler e em todos os diplomatas, algo como se existisse um Conselho Federal do Direito que poderia mandar no Ministro da Justiça.

Logo, é preciso criar uma entidade capaz de orientar um campo específico das Relações Internacionais, que seja democrática e dialogue com as todas as esferas, respeitando essas estruturas, sem interferir com poder autárquico nas tomadas de decisões. Assim, a busca pela lei e compreensão do que fazer, de entender como funciona a nossa Constituição Federal, foi essencial para desenvolver a ANAPRI.

A Associação Nacional dos Profissionais de Relações Internacionais, ciente dos inúmero desafios, criada no dia 15 de Janeiro de 2019, comemorando 1 ano de atuação, além, de uma trajetória que vem de antes, composta por profissionais dos quatro cantos do Brasil, decidiu expandir ainda mais as parcerias já anunciadas, buscando criar através de ações profissionalizantes, desde cursos, palestras, treinamentos, atividades de promoção do campo profissional, para então criar as bases para seus membros associados e toda a comunidade de internacionalistas crescerem profissionalmente.

É comum encontrar em nossas redes sociais, nossas fotos em palestras, eventos e oportunidades de diálogo com outras entidades, tanto públicas e privadas, da esfera nacional e internacional. A Associação foi criada com base nos preceitos da lei trabalhista de 1939 e nos artigos 173 e 174 da Constituição Federal, busca garantir os direitos das Relações Internacionais do Brasil no mercado de trabalho, mostrando a real necessidade do Profissional de Relações Internacionais para o desenvolvimento de empresas dos mais diversos setores.

Popularizar essa proposta significa mostrar para o mercado de trabalho brasileiro que sua área internacional precisa ser assumida por esse novo profissional a partir de 2020, com o respaldo legal, pois quando o Estado não rege sob uma área, a sociedade civil organizada dessa área possui todo o direito de fazê-lo. Dessa forma, o modelo associativo tem se tornando uma ótima forma para profissionais se unirem e se desenvolverem como profissionais.

Por isso, a ANAPRI foi muito cuidadosa na hora de defender a criação da profissão e preparar todo um alicerce forte para defender nossa área. Pois, uma profissão no Brasil é criada sob as seguintes etapas: dá-se entrada em Brasília na Comissão Brasileira de Ocupações – CBO – com um protocolo padrão, após isso, a Comissão entra em contato com a FIPE, que é responsável por iniciar uma pesquisa para saber se a área realmente existe. Então, dar entrada em Brasília não garantiu nada para ninguém, mas foi nesse início de pesquisa que a FIPE entrou em contato conosco e começamos o processo de criação de um texto base que serviu como modelo para definirmos as cinco subáreas que o profissional irá trabalhar, sendo um modelo semelhante ao usado pelo Ministério do Trabalho alemão.

Após a aprovação desse texto, e a investigação da área, foi criado um painel onde dez profissionais foram defender a criação da profissão, podendo não obterem sucesso em relação a isso, mas a ANAPRI procurou indicar sete profissionais de confiança, orientados pela nossa diretoria para que todos pudessem entender a real necessidade do profissional no campo de trabalho e assim prometeram a publicação para janeiro de 2020.

Dessa forma, nasce o profissional de Relações Internacionais, seguindo todos os ritos que suas profissões parceiras (Economia, Direito, Administração e Ciências Contábeis) fizeram, criando uma associação, cadastrando o profissional nos órgãos necessários e começando o processo de coro sobre a real necessidade da área e dos direitos e deveres que esse profissional passa a ter à partir de agora.

Depois disso era preciso entender quais os próximos passos que a lei brasileira exige para o ganho de força e reconhecimento dessa instituição, logo, fomos aprovados na Comissão de Legislação Participativa do Congresso Nacional, que é responsável por dar voz a sociedade civil organizada na criação de projetos de lei e legitimação dessas instituições. Não se enganem, legitimar é apenas reconhecer que estamos dentro das legalidades de uma associação, com a documentação toda em dia, respeitando as regras e prontos para falar de forma optativa em nome de quem quer ser ouvido das Relações Internacionais. Isso não dá a ANAPRI força de imposição, pois é claro, que ninguém iria confundir legitimidade com poder não é mesmo?

Para termos poder democrático precisamos que os profissionais, estudantes e todos os interessados na área, lutem em conjunto para que essa área tenha o real peso que é seu de fato, assim como funciona em outros países do mundo.

A ANAPRI vem cada dia mais, criando parcerias, desenvolvendo negócios e gerando oportunidades, sempre com o apoio de seus parceiros, como a Revista Relações Exteriores, que visa publicar análises voltadas para o campo profissional, e o site VagasRI, originário do site Relações Internacionais.

Para nosso segundo ano, vamos trazer eventos nas regiões Sul, Sudeste e Norte, integrando e construindo uma comunidade de profissionais cada vez mais ativa, integrada e capaz de trazer benefícios para toda a sociedade.

Busquem a ANAPRI para conversar sobre o campo e a atuação profissional. Ao se associar, além de contar diversos os benefícios, você está auxiliando na construção dessa área no Brasil e para que as Relações Internacionais assumam o seu lugar de fato.

 

Obrigado.

 

Carlos Rifan

 

Presidente

Rua Conceição de Monte Alegre, 107, Torre B – 10º andar – Conj. 101 B  CV 3377 Cidade Monções, São Paulo, SP, 04563-060

CNPJ 32.706.148/0001-32

[email protected]

 

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