Porque o estudante/profissional de Relações Internacionais não deve ter medo da área Internacional?

As Relações Internacionais do Brasil são um campo multidisciplinar ensinado nas Universidades desde 1974. De lá para cá muitos temas foram levantados sobre essa área, muitas organizações foram questionadas, muitas brigas foram travadas e vários projetos de lei acerca foram criados e derrubados, alguns por entidades externas, alguns por nosso próprio time.

A verdade é que o nome da área “Relações Internacionais” sempre veio carregado de pompa, particularidade e falta de alcance, principalmente pelo fato de ser confundido desde o início com os diplomatas e o Itamaraty. Acho que isso criou em nossos estudantes e formados uma soberba natural, não de humilhação ao próximo, mas de uma exaltação quase que aristocrática, porém sem a reserva da área, algo que gera conflitos até hoje em Relações Internacionais.

Mas, como explicado, Relações Internacionais sempre foi uma área multidisciplinar, assim como o Direito, e por isso, nunca poderia ter um Conselho Federal de Relações Internacionais que garantisse tudo por poder de imposição. Até porque, segundo o artigo 4 da CF88, as Relações Internacionais são de soberania do Estado Brasileiro e um presidente de Conselho Federal teria poder autárquico para mandar no Chanceler e em todos os diplomatas, algo como se existisse um Conselho Federal do Direito que poderia mandar no Ministro da Justiça.

Logo, é preciso criar uma entidade capaz de reger um campo específico das Relações Internacionais, que possa ser democrática e dialogar com as esferas acadêmica e pública, respeitando essas estruturas, sem interferir com poder autárquico nas tomadas de decisão. Assim, a busca pela lei e compreensão do que fazer, de entender como funciona a nossa Constituição Federal, foi essencial para desenvolver a ANAPRI.

A Associação Nacional dos Profissionais de Relações Internacionais nasceu há quase 1 ano, e perto de fazer aniversário, seus membros diretores, um grupo de profissionais dos quatro cantos do Brasil, decidiu expandir ainda mais as parcerias já anunciadas, buscando não ter medo da área internacional brasileira e acima de tudo, proporcionar isso para os seus membros associados.

É comum encontrar em nossas redes sociais, nossas fotos em palestras, eventos e oportunidades de diálogo com outras entidades, público e privadas da esfera nacional e internacional. Sim porque a ANAPRI, fundada nos preceitos da lei trabalhista de 1939 e nos artigos 173 e 174 da Constituição Federal, busca garantir os direitos das Relações Internacionais do Brasil no mercado de trabalho, mostrando a real necessidade do Profissional de Relações Internacionais para o desenvolvimento de empresas dos mais diversos setores. E popularizar essa proposta é mostrar para o mercado de trabalho brasileiro que sua área internacional precisa ser assumida por esse novo profissional a partir de 2020, assim como diz o artigo citado que quando o Estado não rege sob uma área, a sociedade civil organizada dessa área possui todo o direito de fazê-lo.

Por isso a ANAPRI foi muito cuidadosa na hora de defender a criação da profissão e preparar todo um alicerce forte para defender essa área. Pois, uma profissão no Brasil é criada sob as seguintes etapas: dá-se entrada em Brasília na Comissão Brasileira de Ocupações com um protocolo padrão, após isso, a CBO entra em contato com a FIPE que é responsável por iniciar uma pesquisa para saber se a área realmente existe. Então, dar entrada em Brasília não garantiu nada para ninguém, mas foi nesse início de pesquisa que a FIPE entrou em contato conosco e começamos o processo de criação de um texto base que serviu como modelo para definirmos as cinco subáreas que o profissional irá trabalhar, sendo um modelo semelhante ao usado pelo Ministério do Trabalho alemão. Após a aprovação desse texto e a investigação da área, foi criado um painel onde dez profissionais foram defender a criação da profissão, podendo não obterem sucesso em relação a isso, mas a ANAPRI procurou indicar sete profissionais de confiança, orientados pela nossa diretoria para que todos pudessem entender a real necessidade do profissional no campo de trabalho e assim prometeram a publicação para janeiro de 2020.

Dessa forma nasce o profissional de Relações Internacionais, seguindo todos os ritos que suas profissões parceiras (Economia, Direito, Administração e Ciências Contábeis) fizeram, criando uma associação, cadastrando o profissional nos órgãos necessários e começando o processo de coro sobre a real necessidade da área e os direitos e deveres que esse profissional passa a ter à partir de agora.

Depois disso era preciso entender quais os próximos passos que a lei brasileira exige para o ganho de força e reconhecimento dessa instituição, logo, fomos aprovados na Comissão de Legislação Participativa do Congresso Nacional, que é responsável por dar voz a sociedade civil organizada na criação de projetos de lei e legitimação dessas instituições. Não se enganem, legitimar é apenas reconhecer que estamos dentro das legalidades de uma associação, com a documentação toda em dia, respeitando as regras e prontos para falar de forma optativa em nome de quem quer ser ouvido das Relações Internacionais. Isso não dá a ANAPRI força de imposição, pois é claro, que ninguém iria confundir legitimidade com poder não é mesmo?

Para termos poder democrático precisamos que os profissionais, estudantes e todos os interessados na área, lutem em conjunto para que essa área tenha o real peso que é seu de fato, assim como funciona em outros países do mundo. Por isso nessa última semana o nosso delegado na Espanha, Wesley Guerra, firmou uma parceria institucional com o IGADI e passamos a ser reconhecidos internacionalmente dentro da área das Relações Internacionais.

O IGADI é o Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional, uma entidade europeia responsável por trabalhar nas áreas de análise de mercado com informações especializadas, investigação estratégica, internacionalização espanhola e projetos de cooperação internacional. Logo, nossa parceria foi para atender você profissional ou estudante de Relações Internacionais que deseja publicar numa revista internacional ou ingressar na Paradiplomacia civil e fazer um intercâmbio acadêmico ou profissional com o apoio institucional da ANAPRI, no estreitamento de pontes que possam favorecer o nosso corpo brasileiro.

A ANAPRI vem cada dia mais, criando parcerias, desenvolvendo negócios e gerando oportunidades, sempre com o apoio de seus parceiros, a revista Relações Exteriores e o site vagas RI. Ainda estaremos esse ano fazendo um grande evento de 1 ano em São Paulo no fim de novembro e no Rio de Janeiro em dezembro, além de uma viagem estratégica ao Pará para o desenvolvimento da área.

Busquem a ANAPRI para tirar dúvidas, questionar, se informar sobre coisas que leram referentes a instituição e se associem para participarem da criação dessa área no Brasil e que as Relações Internacionais assumam o seu lugar de fato.

Obrigado.

Carlos Rifan

Presidente

Rua Conceição de Monte Alegre, 107, Torre B – 10º andar – Conj. 101 B  CV 3377 Cidade Monções, São Paulo, SP, 04563-060

CNPJ 32.706.148/0001-32

[email protected]

 

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